
Durante o II Congresso de Gestores de Clínicas, promovido pela EMS, a contadora Karen Carvalho explicou como o novo sistema de recolhimento de impostos poderá transformar a maneira como clínicas e consultórios recebem seus pagamentos e administram suas finanças.
A Reforma Tributária vai muito além da criação de novos impostos. Uma das mudanças mais importantes para os empresários brasileiros está na forma como esses tributos serão recolhidos.
O chamado Split Payment promete transformar a rotina financeira das empresas, inclusive das clínicas médicas, consultórios e estabelecimentos de saúde.
Esse foi um dos temas apresentados por Karen Carvalho, da Objetiva Contábil, durante o II Congresso de Gestores de Clínicas, realizado em 16 de outubro de 2026 e promovido pela EMS, laboratório farmacêutico brasileiro.
Em sua palestra sobre os impactos financeiros da Reforma Tributária, Karen demonstrou que os empresários precisam estar atentos não apenas ao valor dos impostos, mas também ao momento em que o dinheiro efetivamente estará disponível na conta bancária.
A principal mensagem foi: com o Split Payment, a clínica deixará de receber o valor integral de determinados pagamentos, pois os tributos serão separados automaticamente antes de o dinheiro chegar à sua conta.
O Split Payment, também conhecido como pagamento dividido, é um mecanismo previsto na Reforma Tributária para separar os impostos no momento em que uma empresa recebe o pagamento por um produto ou serviço.
Atualmente, de maneira geral, uma clínica recebe o valor de uma consulta ou procedimento e depois realiza o pagamento dos impostos nos respectivos vencimentos.
Com o novo sistema, nos pagamentos sujeitos ao mecanismo, parte do valor poderá ser direcionada ao governo pela instituição responsável pelo pagamento.
Isso significa que o dinheiro destinado aos tributos poderá não passar integralmente pela conta bancária da clínica.
Para entender melhor, imagine uma clínica que realiza uma cirurgia de R$ 10.000.
No modelo tradicional, a clínica recebe o valor e posteriormente recolhe os impostos devidos.
Com o Split Payment, o pagamento poderá ser dividido: uma parte seguirá para a clínica e outra será destinada ao recolhimento dos tributos.
O grande impacto está na disponibilidade do dinheiro.
O empresário precisará administrar suas despesas considerando que parte dos recebimentos poderá ser retida para pagamento dos impostos no próprio momento da transação.
O Split Payment também poderá exigir adaptações na maneira como as clínicas emitem cobranças e recebem pagamentos. Durante a palestra, foram apresentados exemplos envolvendo Pix, boletos bancários e transferências, com base em material sobre a operacionalização do novo sistema.
A proposta é que os pagamentos possam ser associados às informações das notas fiscais e dos tributos correspondentes. Isso significa que o setor financeiro e o setor de faturamento das clínicas precisarão trabalhar de maneira ainda mais integrada.
Imagine uma clínica que realiza dezenas de consultas e procedimentos diariamente. Cada atendimento deve gerar uma nota fiscal, um recebimento e informações tributárias que precisam estar corretamente relacionadas.

Durante a palestra, Karen Carvalho apresentou simulações financeiras demonstrando como essa mudança poderá impactar a gestão de clínicas que recebem pagamentos de pacientes e operadoras de planos de saúde.
Em um dos exemplos, foi considerada uma cirurgia no valor final de R$ 10.000, realizada por uma clínica sujeita ao novo modelo de tributação.
Na simulação apresentada para 2027, a divisão do pagamento seria aproximadamente:
Esses números são simulações e consideram premissas específicas de alíquotas, preços e aplicação do mecanismo. Não representam valores definitivos nem significam que o Split Payment será obrigatoriamente aplicado dessa maneira em todas as operações.
O exemplo evidencia um desafio importante: a clínica terá que organizar suas finanças considerando o valor líquido efetivamente disponível em cada recebimento.
Para demonstrar o impacto financeiro, Karen apresentou o cenário de uma clínica com faturamento mensal de R$ 300 mil.
Nas condições simuladas, a antecipação do recolhimento poderia representar aproximadamente R$ 13,2 mil por mês em 2027.
Isso não significa necessariamente um aumento de impostos nesse mesmo valor.
Significa que uma parcela do dinheiro que antes permanecia temporariamente disponível na conta da empresa poderá ser direcionada ao recolhimento tributário mais cedo.
Na prática, essa diferença pode influenciar o pagamento de salários, fornecedores, aluguel, equipamentos e demais compromissos financeiros.
Uma clínica pode apresentar um bom faturamento e, ainda assim, enfrentar dificuldades financeiras se não tiver recursos disponíveis nas datas em que precisa realizar seus pagamentos.
Por isso, o planejamento do fluxo de caixa será tão importante quanto o planejamento tributário.
Essa foi uma das distinções mais importantes da apresentação.
O Split Payment, por si só, não cria um novo imposto nem aumenta automaticamente a alíquota tributária da clínica.
Ele modifica a forma de recolhimento dos tributos previstos na Reforma Tributária. Os valores efetivamente devidos continuarão dependendo das regras tributárias aplicáveis à empresa, dos serviços prestados e dos créditos que possam ser utilizados.
Entretanto, a mudança no momento do recolhimento poderá exigir uma reorganização financeira. É importante compreender que pagar o mesmo imposto em uma data diferente pode produzir consequências significativas para a administração de um negócio.
Outra novidade apresentada foi a chamada apuração assistida. A proposta desse modelo é utilizar as informações das notas fiscais e demais registros eletrônicos para auxiliar no cálculo dos tributos devidos.
Em vez de depender exclusivamente dos cálculos realizados internamente pelas empresas, o sistema tributário passará a disponibilizar informações para conferência e validação.
Isso não significa que a contabilidade deixará de ser necessária. Pelo contrário. A contabilidade terá um papel fundamental na verificação dos valores, no acompanhamento dos créditos e na identificação de possíveis divergências.
Para o empresário, a mensagem é simples: quanto mais organizada estiver a documentação financeira e fiscal da clínica, maior será sua capacidade de acompanhar os impostos e evitar problemas.
A implementação do Split Payment será gradual e dependerá da regulamentação e da disponibilidade dos sistemas necessários. Durante a apresentação, foram discutidos cenários de implantação a partir de 2027, com atenção especial às operações entre empresas, conhecidas como B2B.
Entretanto, as datas e condições efetivas de obrigatoriedade precisam ser acompanhadas conforme a regulamentação oficial. Isso é especialmente importante para clínicas que recebem pagamentos de hospitais, operadoras de saúde e outras pessoas jurídicas.
A orientação é não esperar a aplicação integral do sistema para começar a preparar a gestão financeira.
Ao final da apresentação, Karen Carvalho destacou a importância de quatro cuidados para os gestores da área da saúde:
1. Reorganizar o planejamento financeiro. Avaliar quanto dinheiro a clínica precisa manter disponível para pagar suas despesas, considerando possíveis mudanças no momento do recolhimento dos tributos.
2. Revisar os sistemas de faturamento e cobrança. Verificar se os sistemas utilizados pela clínica estarão preparados para integrar informações fiscais e financeiras.
3. Melhorar o controle das notas fiscais e dos fornecedores. Manter a documentação organizada será essencial para acompanhar os impostos e aproveitar os créditos permitidos pela legislação.
4. Contar com uma contabilidade preparada para a Reforma Tributária. Acompanhar as mudanças legais e realizar simulações financeiras permitirá tomar decisões com mais segurança.
A participação de Karen Carvalho no II Congresso de Gestores de Clínicas reforçou o compromisso da Objetiva Contábil em aproximar o conhecimento tributário da realidade dos empresários.
Com uma apresentação baseada em situações práticas, Karen demonstrou que a Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma questão de impostos.
Ela também envolve planejamento financeiro, organização administrativa e preparação tecnológica.
A palestra integrou a programação do evento promovido pela EMS, reunindo gestores e profissionais interessados no desenvolvimento e na sustentabilidade dos negócios da saúde.
Para a Objetiva Contábil, o desafio é ajudar empresários a compreender como essas mudanças poderão afetar suas empresas e quais providências podem ser tomadas antecipadamente.
A chegada do Split Payment reforça uma realidade: não basta que uma clínica tenha pacientes, faturamento e resultados positivos.
É fundamental que ela tenha controle sobre seus recebimentos, despesas e compromissos financeiros.
O empresário que compreende seus números consegue se preparar melhor para as mudanças e tomar decisões com mais segurança.
A Objetiva Contábil atua com contabilidade consultiva e planejamento tributário para empresas, incluindo clínicas e consultórios médicos, oferecendo suporte para avaliar os impactos da Reforma Tributária.
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Acesse www.objetivacontabilbrasil.com.br e conheça a Objetiva Contábil.
Acompanhe também os conteúdos de Karen Carvalho no Instagram: @acontadorakaren.
Nota sobre as simulações: Os exemplos financeiros apresentados neste artigo foram elaborados pela Objetiva Contábil para a palestra de outubro de 2026, considerando premissas específicas de faturamento, alíquotas, despesas e aplicação do Split Payment. São projeções ilustrativas, não representam valores definitivos de tributos nem garantem a aplicação do mecanismo nas datas e condições simuladas. A implementação efetiva dependerá da regulamentação, dos sistemas disponíveis e das características de cada operação.
Artigo escrito por Karen Carvalho - CEO Objetiva Contabil
Sobre: Karen Carvalho, Casada, Mãe de 2, Cristã, e Empresária na Objetiva Contábil. Bacharel em Direito e em Ciências Contábeis, pela Universidade Candido Mendes. Em Pós Graduação na Reforma Tributária, pela BSSP. Atua na contabilidade desde os 15 anos de idade. E hoje já são 25 anos de experiência, focada no relacionamento com o cliente. Atualmente atuante no Comercial e estratégias tributárias. Uma workaholic em recuperação.